Pa Kua Arqueria Chinesa — Rituais

Primeiro é importante lembrar da importância da arqueria na história chinesa, tanto como arma de guerra quanto como um instrumento utilizado em rituais, cerimônias e exames militares e civis.

A prática ritualística da arqueria tem seu inicio na dinastia Zhou (1146–256 AC), onde os rituais eram feitos para o imperador como forma de demonstrar as virtudes daquele arqueiro. Quanto mais atento aos detalhes o arqueiro fosse, mais virtuoso ele era aos olhos do imperador.

Os rituais eram vistos como a ordem dentro do caos que as guerras representavam, simbolizava conseguir pegar os movimentos de batalha e fazê-los em ordem, demonstrando elegância e firmeza. A prática dos rituais em seus primórdios era realizada somente pelos nobres como forma de apresentar ao imperador as suas habilidades de guerra e o seu controle sobre corpo e mente durante o manejo com arco e flecha. Dizia-se que não importava a ação que você fizesse, para frente, trás ou para lados, todos os movimentos deveriam ser disciplinados e com a mente tranquila e foco no alvo.

A modalidade também fazia parte das seis artes nobres que eram: ritos, música, arqueria, corrida de bigas, caligrafia e matemática. A ideia era que aquele que dominasse essas seis artes seria um homem completo. Essa filosofia era apoiada por Confúcio, que via no uso do arco e flecha uma parte fundamental da evolução do ser humano e por isso defendia a prática dos rituais. Para os seus discípulos o arco passou de uma arma de guerra para uma arma de paz cujo objetivo é o refinamento de corpo, mente e espírito.

“Na prática do arco e flecha há algo semelhante ao princípio que existe na vida de um homem moral: quando o arqueiro não atinge o alvo, ele se vira e busca a causa do fracasso em si mesmo.” (Confúcio)

A tradição dos rituais teve os seus momentos de alta e baixa durante as dinastias a seguir. Na dinastia Han existiu um movimento de retorno às práticas ritualísticas, boa parte do material escrito que existe hoje sobre tais cerimônias são da era Han, cujo imperadores buscaram escrever muito da cultura que antes era ensinada somente de forma oral, e por isso existia o medo desses ritos se perderem com o tempo.

Exames imperiais

Quadro representando a prática ritualística

A prática da arqueria ritualística abriu caminho para os exames imperiais que eram feitos para militares e civis. Esses testes eram feitos com base nos escritos da dinastia Han que descreviam os antigos rituais praticados. Os exames imperiais auxiliariam na manutenção da prática de arqueria e também na sua popularização, fazendo com que pessoas de classes mais baixas também pudessem praticar a arte. Durante os exames eram exigidos habilidades diferentes do arqueiro de acordo com o cargo almejado. As tarefas iam desde rituais de tiros no ritmo de tambores, tiros a cavalo, puxar um arco de grande libragem ou até atirar uma flecha pesada. A prática da arqueria nas provas imperiais fizeram parte da vida dos chineses por séculos até 1901, quando o imperador Guangxu aboliu o tiro com arco dos exames militares.

Prova a cavalo da dinastia Qing

Com o fim da exigência da arqueria nos exames militares, a arte do arco começou a ter o seu declínio na China. Apesar disso muitos discípulos dos estudos de Confúcio continuaram o estudo dos rituais como forma de manter viva a prática das seis artes nobres. Hoje existe um movimento no mundo todo de esforço em reviver tais técnicas, sendo a Liga Internacional de Pa Kua uma dessas instituições presente em mais de 10 países como difusora da prática. Existem vários eventos ocorrendo anualmente que reúnem entusiastas no estudo da arqueria chinesa, vindos do mundo inteiro e nossa escola vem buscando participar em diversas oportunidades.

Nossos mestres em evento de arqueria na China em 2016

A prática da arqueria ritualística no Pa Kua

A arqueria ritualistica no Pa Kua começa desde o inicio do aprendizado com o aluno bucando, através do treino de uma sequência específica de tiros, trabalhar a respiração, atenção aos detalhes, disciplina e foco. A prática do ritual dentro da nossa escola não é sobre demonstrar para os outros as próprias habilidades, mas sim buscar internamente os pontos a melhorar e evoluir, sendo mais uma característica do âmbito não competitivo da Liga Internacional de Pa Kua.

Fontes e material para estudo:

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Praticante e professor na Liga internacional de Pa Kua

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